Arquivo do mês: maio 2012

O Single Malt mais esperado do ano

The Queens Diamond Jubilee

A Macallan tem a maior legião de fãs de Single Malt do mundo. Desperta paixões e é sinônimo de prestígio entre os apreciadores da bebida. Mas tem também seus críticos, que recentemente acusaram a destilaria de renegar seus fiéis ao abandonar a estratégia de envelhecer seus maltes exclusivamente em barris de vinho Jerez. Em última instância, essa estratégia foi a responsável pelo sucesso e construção da reputação da Macallan ao longo dos anos.

Controvérsias e emoções a parte, a destilaria fundada em 1824 acaba de lançar o Single Malt mais esperado do ano. The Queens Diamond Jubilee é uma edição limitada de 2012 garrafas com uma graduação alcoólica de 52%, em referência ao ano em que a Rainha subiu ao trono. E maturado exclusivamente em barris de vinho Jerez, como manda a boa tradição da Macallan. Os maltes que compõem a mistura foram retirados dos barris em 6 de fevereiro, referência a data em que a Rainha subiu ao trono, e na primeira semana de junho, mês que tradicionalmente se celebram os Jubileus da família Real.

A Inglaterra estará em festa de 2 a 5 de junho celebrando o Jubileu de Diamante da Rainha Elizabeth. E o evento tem grande importância histórica. Depois da celebração de dois Jubileus de Diamantes, o da Rainha Victoria e o do Imperador Francisco José, do Império Austro-Húngaro, apenas outros dois eventos do tipo aconteceram no mundo, no Japão e na Tailândia.

E o que será que a Rainha vai beber para comemorar os seus 60 anos de trono? Não faltam motivos para comemorar. Dizem que Vosa Alteza gosta de umas biritas e é fã de um cocktail feito com Gin, limão e Dubonnet (uma espécie de licor a base de vinho fortificado, ervas e especiarias). Para mim, um Macallan 12 anos Sherry Oak já estaria de bom tamanho.

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Johnnie Walker e Ypióca, lado a lado!

Da Reuters

Britânica Diageo compra cachaça Ypióca por US$470 milhões

Por David Jones

LONDRES (Reuters) – O grupo britânico de bebidas Diageo anunciou nesta segunda-feira acordo para comprar a fabricante brasileira de aguardente Ypióca por cerca de 300 milhões de libras (469 milhões de dólares), aumentando presença em mercados emergentes enquanto briga por um maior espaço em tequila.

A produtora do uísque Johnnie Walker e da vodca Smirnoff, que tem planos de ter metade das suas vendas em mercados emergentes até 2015, anunciou nesta segunda-feira acordo para comprar a marca Ypióca de sua família controladora, além de parte dos ativos de produção e distribuição da bebida.

A Ypióca é a terceira maior marca do mercado de cachaça e líder de um segmento de rápido crescimento dessa bebida, o premium. A companhia, fundada em 1846 e com sede em Fortaleza, emprega cerca de 3,2 mil funcionários e tem cinco fábricas no país. A cachaça responde por cerca de 80 por cento da indústria brasileira de bebidas destiladas.

“O Brasil é atrativo, um mercado de rápido crescimento para a Diageo com demografia favorável e crescente renda disponível. A aquisição da Ypióca nos dá a marca premium líder na maior categoria local de bebidas destiladas”, disse o presidente-executivo da Diageo, Paul Walsh.

A Diageo, assim como outros grupos internacionais de bebida, tenta se fazer presente em países emergentes para compensar a demanda instável na Europa.

O grupo há muito tempo negocia com a dona da Jose Cuervo para ter uma parte da marca líder de tequila, avaliada em mais de 3 bilhões de dólares. Algumas fontes dizem que as negociações esfriaram por causa de problemas relacionados ao controle da marca.

A companhia londrina recentemente investiu em negócios como a Mey Icki (Turquia) e ShuiJingfang (China) para aumentar as vendas nos países emergentes, que atualmente respondem por quase 40 por cento do total da Diageo.

A Diageo disse que a aquisição da Ypióca deve ser neutra para o lucro no primeiro ano de controle e cobrir o custo de capital até o quinto ano após o negócio, o que analistas dizem estar em linha com os negócios recentes. O grupo britânico não deu números exatos de lucro para a companhia brasileira.

“Nós consideramos positivo esse tipo de negócio em países emergentes, dando a liderança em marca premium local e sinergia em distribuição a médio prazo para as bebidas destiladas internacionais da Diageo”, disse a analista do UBS, Melissa Earlam.

Ela estima que a Diageo tenha pago 19 vezes o Ebitda (sigla em inglês para lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) pelo negócio e estima uma margem Ebitda de 25 por cento nas vendas anuais de 60 milhões de libras.

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Alguns Mitos Sobre Whisky – Parte IV

Um dos mitos mais intrigantes se refere a adição de água ou gelo ao whisky. É comum escutarmos a célebre frase em relação ao nosso oitavo mito “…o whisky levou tanto tempo para perder a água, e o sujeito vai lá e tasca água no whisky…”.

O whisky levou mesmo muito tempo para perder a água? Quando que o whisky levou muito tempo para perder água? Durante o processo de destilação? Ou durante a maturação em barris de carvalho?

O processo de destilação leva apenas algumas horas para separar a água do álcool. O que não é tanto tempo. Podemos até dizer então que “…o whisky levou tão pouco tempo para perder água durante a destilação, e o sujeito vai lá e tasca água no whisky…”.

Durante a maturação em barris de carvalho o whisky perde mais álcool do que água. A razão é simples, e explicada pela química. Álcool é mais volátil e evapora mais rápido do que a água. E podemos modificar a célebre frase da qual falávamos para “…o whisky levou tanto tempo para perder álcool, e o sujeito vai lá e tasca água no whisky…”. Que fique claro, portanto, que a maturação em barris de carvalho é para adicionar sabores e aromas ao whisky, e não para retirar sua água.

A função da maturação em barris de carvalho não é de retirar água do whisky, mas sim de adicionar sabores e aromas à bebida final

 

Os próprios produtores adicionam água ao whisky antes do seu engarrafamento de modo a reduzir sua graduação alcoólica para 40%. Busca-se, dessa forma, agradar com uma bebida menos alcoólica o paladar da maioria, que não apreciaria os chamados whiskies “cask strengths” saídos diretos dos barris.

A água apenas dilue os sabores da bebida. Já o gelo, “fecha” seus sabores e aromas. Portanto, ambos não são recomendáveis para quem quer apreciar o whisky em sua totalidade.

Já escutou que a grafia “whisky” só pode ser usada na Escócia, ou que nos EUA a grafia tem que ser “whiskey” com “e”? Está aí o nono mito!

Repare na grafia "whisky" no rótulo do Bourbon Maker's Mark

 

“Whisky” é usado em outros países também. Não existe patente sobre a palavra “whisky”, que é, de fato, usada também para descrever os whiskies japoneses e canadenses. Nos EUA as duas formas de grafia estão corretas. Há muitos whiskies americanos que são denominados de “whisky”, e o Bourbon Maker`s Mark é apenas um deles.

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Irish Coffee, para celebrar o dia do café!

Dia 21 de maio foi o dia da cachaça. Salve a cachaça, que tanto apreciamos! Mas hoje é o dia do café, e salve o café!

A data de 24 de maio, que representa o início da colheita, foi estabelecida pela Associação Brasileira das Indústrias de Café como o dia nacional da bebida, que tantas divisas externas já trouxe, e ainda traz ao nosso país.

Somos o maior produtor e exportador de café do mundo, e só estamos atrás dos americanos em termos de consumo. Em 2011, o consumo per capita de café foi quase de 82 litros por aqui.

E nada melhor que um Café Irlandês para celebrarmos esse dia, não?

Segue a receita da Associação Internacional de Bartenders
Irish Coffee
27 ml de whiskey irlandês (Jameson, por exemplo)
45 ml de café forte quente (expresso, de preferência)
18 ml de creme de leite fresco batido ou chantilly
1 colher de bar de açúcar
Modo de Preparar
Em uma taça para café irlandês, coloque o açúcar e em seguida o whisky. Complete com café, mexa bem e deixe a bebida descansar um pouco. Depois despeje creme de leite, ou chantilly, bem devagar usando a parte de trás de uma colher aquecida. É indispensável que o creme de leite flutue na superfície do café, sem se misturar ao restante da bebida.

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Embrapa, Organização Internacional do Café e Associação Internacional dos Bartenders.

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Moda Scotch

Do Site do Valor Econômico / Postado por: Maria da Paz Trefaut

O Alexandre Herchcovitch – quem diria? – tornou-se um admirador de uísque. Pelo menos é o que se depreende da série de cinco camisetas que vai lançar no próximo dia 24, em sua loja no Fashion Mall no Rio, produzidas em parceria com a Diageo – a maior empresa de bebidas Premium do mundo. O estilista diz que começou a perceber o crescente consumo de uísque no país e pensou usar isso como fonte de inspiração na moda. O resultado foi uma produção limitada de 2 mil camisetas que declaram que a bebida é chique, cool, tem estilo e outras coisas mais. A coleção, batizada de Whiskyls, será vendida nas lojas do estilista em São Paulo e Rio, no seu site e em Recife, nas multimarcas Dona Santa e Adom. Cada peça custa R$ 129,90 e, embora Herchcovitch diga que começou a pensar nos modelos muito antes dos fashions weeks que vêm aí, ele reconhece que “a parceria comercial com a Diageo ajuda a viabilizar parte dos custos do desfile”.

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Matéria sobre whisky no SBT

O consumo de whisky no Brasil apresentou crescimento de 48% em 2011.
Veja a matéria do canal SBT, que contou com nossa ajuda, no link abaixo.

http://sbtvideos.com.br/sbtvideos/media/?id=113d2b3f8d7278f76ddcf1bf323e77a4

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Saiba apreciar uma cachaça do jeito que só ela merece

Segue a íntegra do artigo escrito pelo nosso consultor, Alexandre Campos, publicado na revista Exame.

http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/comida-bebida/noticias/saiba-apreciar-uma-cachaca-do-jeito-que-so-ela-mecere

O artigo também já havia sido publicado na revista Alfa.

Cachaça de alambique se beneficia de nossa rica biodiversidade, sendo envelhecida com bons resultados em diversas madeiras além do carvalho

 

Não é difícil depararmos com textos dizendo que a cachaça é uma bebida que não deve nada a nenhuma outra. Há quem clame por menos preconceito e revele um sentimento ufanista da década de 60, afirmando que a cachaça é a única bebida genuinamente brasileira; por isso, temos de apreciá-la em detrimento dos destilados e fermentados “gringos”, e ponto final.

A discussão, via de regra, se perde em adjetivações nacionalistas e sentimentais, em que os participantes se esquecem de responder a perguntas básicas, como: Por que a cachaça não fica a dever a nenhuma outra bebida? Por que ela é especial? Enfim, por que a cachaça é uma bebida complexa?

Em primeiro lugar, entende-se por destilados complexos os que combinam dois métodos especiais de produção:

1. Destilação em alambiques de cobre (pot stills)
2. Maturação em barris de madeira

Diferentemente dos destiladores industriais — chamados também destiladores de coluna —, os alambiques de cobre conferem maior corpo, densidade, sabores e aromas aos destilados. E a maturação em barris confere uma gama ainda maior dessas desejáveis características ao produto final.

Dos inúmeros tipos de destilados existentes no mundo, apenas sete são produzidos pela combinação dos dois processos acima: armagnac, cachaça, calvado, cognac, rum, tequila e whisky. Sendo que o cognac é destilado apenas em alambiques de cobre, e a maioria dos armagnacs e calvados também.

Tudo bem que grande parte das cachaças, dos runs, das tequilas e dos whiskies são produzidos em larga escala em destiladores industriais. Mas quando esses destilados provêm de alambiques de cobre, com posterior maturação em barris, passamos a falar de bebidas especiais que merecem atenção e respeito.

A vodka, por exemplo, apesar de ser um destilado apreciado pela coquetelaria por sua versatilidade e neutralidade, não apresenta complexidade. Produzi-la é, de fato, muito simples. Basicamente, destila-se um mosto fermentado de batata, centeio, trigo ou uva em destiladores industriais, e a bebida já está pronta para consumo.

Alguns afirmam, equivocadamente, que a complexidade da vodka está em suas múltiplas destilações. Ora, se destilarmos uma bebida inúmeras vezes terminamos, no limite, com álcool puro, não é mesmo?

A complexidade em produzir um destilado não está, portanto, no número de destilações, mas sim em combinar a destilação em alambiques de cobre com o posterior envelhecimento em barris, ambos os processos requerendo técnicas e habilidades especiais de produção.

É certo que dois destilados se diferenciam dos demais, quanto à complexidade: o whisky single malt escocês e a cachaça de alambique (também conhecida como artesanal). Os dois são produzidos em alambiques de cobre. O primeiro se destaca, ainda, pela enorme variedade de barris de carvalho que se usam em sua maturação. Encontramos, por exemplo, single malts escoceses envelhecidos em barris de carvalho que maturaram previamente vinho jerez, vinho sauternes, vinho do porto, vinho tokaji, whiskey bourbon e por aí vai.

Já a cachaça de alambique se beneficia de nossa rica biodiversidade, sendo envelhecida com bons resultados em diversas madeiras além do carvalho, como amburana, bálsamo, cerejeira e ipê, entre outras. Até pau-brasil é usado para envelhecer cachaça!

A combinação alambique de cobre mais envelhecimento em barris é, portanto, crucial na produção de uma bebida complexa como a cachaça de alambique. E podemos citar excelentes exemplares produzidos em nossa terrinha como as cachaças Anísio Santiago, Salinas, Sapucaia, Vale Verde e Weber Haus.

Esquecemos os destilados de alambique de armagnac, calvado, cognac, rum e tequila? Não: trata-se, sem dúvida, de destilados complexos, mas com pouca variedade em termos de métodos de envelhecimento. O armagnac, calvado, e cognac são envelhecidos basicamente em barris de carvalho limousin e tronçais, e o rum e a tequila em barris de carvalho que maturaram previamente whiskey americano.

Ainda que reste muito por fazer em prol do desenvolvimento de cachaças premium, endossamos aqui a admiração e o valor que merecem as nossas cachaças de alambique. Podemos até dizer que a palavra “cachaceiro” deixou de ser ofensa, sendo aprimorada para “cachacier”, a que têm direito os poucos que, realmente, conhecem e sabem degustar a bebida que é a cara do Brasil.

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Salve a cachaça! – Publicação na revista Alfa

Whisky é nosso tema principal, mas também divagamos sobre o fascinante universo dos outros destilados.

Em tempo, nosso consultor, Alexandre Campos, escreveu um artigo interessante para a revista Alfa comparando a cachaça com outros destilados.

Vale a pena dar uma conferida nos pontos levantados e nas comparações feitas no texto. Segue o link da publicação: http://revistaalfa.abril.com.br/estilo-de-vida/cachaca/salve-a-cachaca/

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Islay, a Ilha do Whisky — Parte II

Ao chegar a Laphroaig, pude perceber que estava diante de mais outra grande e tradicional destilaria escocesa. Construída em 1810, a destilaria seguiu produzindo ilegalmente até 1815, quando então recebeu licença oficial para a produção de whisky. Atualmente, a Laphroaig pertence ao grupo Beam, os mesmos donos do famoso Bourbon Jim Beam e do Blended escocês Teacher’s, que leva bastante malte da Laphroaig, por sinal.

O príncipe Charles já esteve por lá duas vezes. Na primeira visita, em 1994, sua alteza quase morre ao tentar pousar o avião que pilotava em alta velocidade. Na segunda vez, em 2008, já casado com Camilla Parker, a visita do Príncipe se deu sem sustos. Fotos do ilustre visitante estão espalhadas por toda a destilaria, da qual o príncipe é grande fã. Dizem que seu Single Malt favorito é o Laphroaig 15 anos, já retirado de circulação e substituído pela versão de 18 anos.

A visita a esse verdadeiro templo do whisky foi marcante. Entre os momentos inesquecíveis está a hora em que passei a fazer parte do “Friends of Laphroaig”, fincando a bandeira do Brasil no pequeno pedaço de terra que me alocaram na destilaria… Também tive a oportunidade de ver pela primeira vez um depósito com “peat”, a turfa que é colocada no forno para secar a cevada maltada. É por causa dessa turfa que o Single Malt da Laphroaig e os de Islay, excluindo o Bunnahabhain, tem um peculiar sabor enfumaçado.

Peat Store - Depósito de Turfa da Laphroaig

 

O Laphroaig também tem um forte sabor medicinal que nem sempre é encontrado em outros maltes turfados de Islay. Curiosamente, essa característica permitiu que ele fosse exportado para os EUA como remédio, durante o período da Lei Seca americana.

Terminada a segunda visita, peguei carona até a Lagavulin com um grupo de alemães fascinados por whiskies. Fundada em 1816, a destilaria pertence atualmente à Diageo, os mesmos donos da marca Johnnie Walker.

Minha passagem pela Lagavulin foi rápida, já que a destilaria estava em manutenção anual e fechada para visitação. Após saborear uns bons Single Malts na aconchegante sala de estar deles e comprar algumas garrafas raras, segui com meus novos amigos alemães para a vila de Port Ellen, onde passaria a noite antes de ir para a vila de Bowmore.

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Islay, a Ilha do Whisky — Parte I

Por Alexandre Campos

Islay (pronúncia “ai-lá”) é uma pitoresca e convidativa ilha situada na costa oeste da Escócia, na altura de Glasgow. Dona de uma paisagem única, a ilha apresenta uma atmosfera bucólica aos seus 3.500 habitantes, e tem os campos de golfe entre seus principais atrativos. Mas para aqueles que não apreciam o nobre esporte, Islay oferece algo ainda mais especial. A ilha abriga sete das principais destilarias de whisky da Escócia.

Os maltes de Islay, com seu peculiar sabor de turfa queimada, ganharam prestígio e um status “cult” por admiradores do mundo inteiro. Todo apreciador sério de Single Malt whisky tem ao menos um de Islay entre seus preferidos — o meu é o Lagavulin. E não é por menos. Frequentemente os Single Malts de Islay atingem notas altíssimas em degustações conduzidas por whisky connoaisseurs de todo o mundo.

Como seguidor do culto ao bom malte, minha peregrinação por Islay começou em uma manhã de sábado, dia 28 de agosto de 2010. No aeroporto me esperava o taxista Mr. Lamont Campbell, que ao ver minha câmera fotográfica logo perguntou se aquela era uma visita jornalística. Respondi que meu negócio não eram as letras, e que as únicas que me levaram até ali eram as dos rótulos das garrafas de whisky… Para minha surpresa, Lamont revelou: “gosto mais de vinhos, mas de vez em quando aprecio uns whiskies Blended, que são mais suaves que os Single Malts”. Segui conversando com meu novo amigo sobre o Brasil e a Escócia, enquanto apreciava a paisagem pela janela até chegarmos à Ardbeg.

Ardbeg — A primeira parada em Islay

 

A destilaria, fundada em 1815, passou por várias crises e chegou a fechar em algumas ocasiões. Minha guia por lá foi Bryony MacIntyre, uma jovem estudante de Engenharia Química de Glasgow que, apesar da pouca idade, sabe tudo sobre as técnicas de destilação e fermentação, fazendo jus a sua faculdade. A jovem disse que reserva os verões para o trabalho na destilaria, da qual o pai, Ruaraidh MacIntyre, é “stillman”. Ou seja, é Ruaraudh quem opera os destiladores da Ardbeg, uma das principais funções dentro de uma destilaria de whisky. Nesse clima familiar, Bryony revela: “boa parte da minha família trabalha ou trabalhou na Ardberg ou em alguma das destilarias de Islay”. A jovem é atualmente embaixadora da destilaria na Escandinávia.

Bryony me explicou que a Ardbeg esteve fechada de 1981 a 1989 (duros tempos os de “80″, e década perdida na América Latina). Em 1997, foi comprada pela Glenmorangie Plc, a famosa destilaria nas Highlands que pertence atualmente ao grupo francês Louis Vuitton Moet Hennessey (LVMH). Mesmo passando por tantas provas, a Ardbeg segue em funcionamento, produzindo um dos maltes mais saborosos e enfumaçados de toda a Escócia. O malte da Ardbeg contém 55ppm de fenóis, medida acima da média de 35ppm de fenóis das outras destilarias de Islay. Ao final de minha visita tive o enorme prazer de saborear com Bryony várias edições dos Single Malts da Ardbeg. A menina não só entende de whisky, como também aprecia a bebida.

Uma estante repleta de preciosidades

 

Meu passeio pela Ardbeg havia chegado ao fim. Diante da possibiliadade de chuva, a funcionária do centro de visitação, Emma McGeachy,  gentilmente me ofereceu um carro da própria destilaria para que me levasse à próxima parada: Laphroaig. Durante minha estada em Islay, pude comprovar que a boa vontade dos seus habitantes é tão comum como as mudanças de clima naquela região. Sentia-me em casa com tamanha hospitalidade…

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